72 anos de história

Em 1945 bombas atômicas foram jogadas em Hiroshima e Nagasaki, um mês depois termina a segunda Guerra Mundial e em escala nacional, Getúlio Vargas foi tirado da presidência do Brasil.

Em 1945 nasceu Elis Regina, Bob Marley, Raul Seixas e o mais importante de todos: Sr. Luiz!

Luiz Gonzaga da Cruz, nascido em 17 de abril (apesar de constar no registro 17 de março) na cidade de Cedro, interior do Ceará. Segundo filho do casal Antônia Pereira de Souza e Ladislau Gabriel da Cruz. Família extremamente humilde que não muito sabiam de suas origens, tão pouco registraram sua história, se não pelas lembranças dos filhos e familiares.
Sr. Luiz, Bem, Pai, Bigode, Gonzaga…Um homem que trabalhou desde cedo pra ajudar em casa, seja na roça, ou como escrivão de uma fazenda, ou como operário de um frigorífico, fotógrafo, vendedor de embutidos e por fim, sacristão de uma igreja! Definitivamente uma pessoa que não tinha medo de trabalhar duro, de sempre aprender coisas novas e de enfrentar qualquer desafio que fosse.

Há alguns anos tento postar no blog algo que de uma certa forma homenageasse ou registrasse uma figura tão ilustre da minha vida, mas sempre sou tomada por uma onda de sentimentos que ou me impedem de prosseguir ou deixa o texto completamente melancólico, coisa que evito ser em público. Assim sendo, não vou escrever o que sinto ou sobre a saudade, mas sim sobre memórias. Memórias que deveriam ser guardadas para todo um sempre.

Desde o começo, evitei o pensamento da injustiça de ter perdido meu pai aos 13 anos, mas ao contrário do que diz o ditado de que as pessoas só são valorizadas depois que morrem, eu aproveitei cada instante do meu tempo com ele. Gosto de lembrar de como tive sorte de ter um pai tão presente, carinhoso e que ensinou a importância do papel do homem na minha vida, meu porto seguro.

Aos 13 anos eu descobri que teria que tocar a vida sem pensar tanto em mim no começo, pois ao meu redor tinha gente que precisaria de todo o meu apoio. Minha mãe tinha perdido o maior amor da vida dela, um amor pelo qual ela deixou tudo sem pensar ou olhar pra trás, um amor pelo qual ela dedicou toda a sua vida. Além dela, tinha minha irmã, que teve somente 7 anos de tempo com ele e não muitas memórias seriam guardadas. Meus irmãos por serem mais velhos acabaram preenchendo partes do vazio e obrigações. O tempo passa, feridas cicatrizam e cada um toca o seu caminho.

Para sintetizar o post, compactei minhas memórias mais presentes, se você que está lendo, tem memórias que gostaria de compartilhar do Sr. Luiz, seja bem vindo! Me mande pelo Face ou pelo Whatsapp e eu posso fazer um post só com elas! =)
Vamos lá!

Lembro da expectativa diária que me tirava do sossego ao final da tarde quando eu sabia que ele estava para chegar do trabalho. Eu ouvia o barulho do portão abrindo independente de onde estivesse na casa e conhecia até mesmo o barulho do carro de longe (golzinho quadrado bege senegal). Ainda consigo lembrar da cara dele ao abrir a porta da cozinha e ver que eu estava ali, ansiosa por vê-lo.
Curiosidade: quando estou em casa antes do Di chegar do trabalho, passo por uma situação semelhante…rs

Lembro que toda noite (até uma certa idade) íamos juntos na casa da vó Neném pra tomar chá de erva doce feito por ela. Ele me levava no colo na maioria das vezes e eu parei de ir quando a Gal se interessou pela coisa…rs

Lembro que toda noite também, por uns 10 anos, meu travesseiro era o braço dele, ele tinha o tamanho e fofura ideal para as melhores noites de sono do mundo! E no dia seguinte, nada de torcicolos…rs

Lembro de sempre olhar os olhos dele pelo retrovisor do carro, principalmente quando um ficava maior que o outro (os olhos do Lau são exatamente iguais e os meus às vezes também ficam)

Lembro das meias de seda fedorentas ao sair dos sapatos depois de um dia puxado de calor e trabalho, eu odiava quando pedia pra eu tirar.  (Se eu vacilar com meus pés fico com o mesmo chulé…rs)

Lembro do cheiro do cabelo dele, lembro do pentinho de plástico que carregava no bolso da frente das camisas.

Lembro de como eu era DOENTE de ciúmes, e de como eu não tive tempo de aprender a lidar com isso.

Lembro dele tocando violão, e eu sabia cantar todas as músicas. Apesar da maioria das músicas serem do livro de cânticos da igreja, ainda lembro de uma ou outra sertaneja (do tipo brega master)

Lembro de querer acompanhá-lo pra toda e qualquer esquina, lembro de ficarmos olhando pela janela do quarto que dava pra rua ou de ficarmos sentados na calçada, só vendo a vida passar.

Lembro do primeiro dia que me mostrou o Word num computador. Eu fiquei tão admirada que ele sabia digitar naquilo, e sabia usar o ratinho! Foi um dos momentos que mais me orgulhei dele! Acho que hoje, ele usaria o zapzap, twitter, youtube, e é claro, o Facebook! =)

Lembro que ele usava umas palavras em espanhol de vez em quando (sai fuera (??)), talvez hoje já teria aprendido inglês pra poder me visitar…rs

Lembro de como ele comia, era o primeiro a sentar na mesa e o último a sair! Por isso era tão gordinho…rs

Lembro que não tinha hora ou lugar pra peidar, afinal, peido não se segura ou se nega… Se bem que a igreja era uma exceção…rs

Lembro que ia com ele jogar dominó na casa dos seus amigos, eu não podia jogar porque era muito pequena…lembro que eu costumava ficar bem entediada, mas ainda assim toda vez que eu podia ir, ia da mesma forma! rs

Lembro de assistir ele jogar quantas mil partidas de truco. Hoje certamente ele teria aderido à tranca, afinal é um jogo que exige mais estratégias e menos energia…hahaha

Lembro de quando íamos no bar do tio Luiz, ele tomava cerveja e me deixava molhar minha chupeta no seu copo…rs

Lembro de quando ele ia pescar, eu ficava com uma camiseta usada pra ficar cheirando até ele voltar…rs (Não me julguem…rs)

Lembro de quando eu voltava da casa da vó Maria (no MS) com a minha mãe, e ele ia buscar a gente de carro na Castello Branco (era o auge da minha viagem, era tanta saudade!)

Lembro dos apelidos malucos, o preferido era “pichotoca nagodoca”. Lembro que ele chegava em casa cantando esses nomes malucos que me dava e eu dançava! rs

Lembro de te que dividir o meu reinado com a Gal, e a vida começou a mudar. Sua atenção já não era mais só pra mim. Hoje eu estaria ainda mais longe do meu trono, porque a Gal teria perdido o reinado pra Sô e pra Laura…hahaha Mas pra elas tudo bem, eu aproveitei bem o meu tempo. Certeza que o Raul ia roubar a cena delas de qualquer forma…rs

Eu só não penso que existe o outro lado, afinal ele poderia ter ciúmes de mim, já que eu tenho um outro amor na minha vida e por ele/com ele, eu deixaria tudo…de novo!

Eu lembro de como a vida dele de verdade, era um mistério pra mim. Pra mim, ele nunca sofria, nunca tinha dores, sempre tinha dinheiro, e é claro, seria eterno.

As lembranças que são mais vivas na minha memória, são as tristes, que guardo só pra mim numa caixinha escondida da memória. Infelizmente, ele se foi bem no começo da minha adolescência e ainda não sabíamos lidar com isso…mas por causa dessas lembranças, eu nunca vou dormir brigada com alguém que amo, porque sei que no outro dia, posso não ter a chance de fazer as pazes.

Feliz aniversário, pai!

pai

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About Neoma

Sou uma pessoa de bem com a vida, alegre, entusiasmada, atenciosa, otimista, instável...etc! Sou filha, irmã, mulher, amiga! "...faço o melhor que sou capaz, só pra viver em paz..."

2 responses to “72 anos de história

  1. Francinne

    Que bonito amiga, me fez lembrar do meu pai, memórias bem semelhante 😊

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